segunda-feira, 5 de outubro de 2009

O que passou, passou....

Falei algo relacionado ao tempo no último post de setembro, mas nada sobre o tempo em si. Vou tentar fazer um breve apanhado, simples..

É engraçado como todo mundo acha que consegue recuperar o tempo perdido., como acham que nunca está tarde para fazer certas coisas, ou confessar aquilo que outrora não havia coragem de dizer. Citar a frase "nunca é tarde..." é um consolo para quem não aproveitou a oportunidade que teve.

Me permitam ser cruel, mas o tempo é irrecuperável.
Não adianta tentar acreditar que ainda existe tempo para realizar sonhos, porque não há.
O que existe é a persistência, palavra muito bonita para teimosia por sinal, que nos enche de esperança por pensarmos que podemos imortalizar nosso desejo de fazermos tudo o que queremos. Mas não podemos.

Correr atrás de um sonho quando jovem é lindo, mas dizer que tentará realizá-lo perto dos 40 é inútil. Seu corpo mudou, sua cabeça amadureceu e logo se percebe descartando aquele sonho e confessa: "aquilo foi besteira". Seu corpo não tem mais tanta disposição mesmo que você o exercite. Sua cabeça, cansa da inovação constante e já clama por estabilidade.
Mas o tempo continua essencial para quem está perto dessa idade: começa a correria da maturidade avançada, a responsabilidade de querer cuidar de outra vida, educar, ser sempre sábio, com anos de experiência de uma vida e a mente aberta de quem começa agora. Precisa ter valores tradicionais, mas aceitar as constantes mudanças no cotidiano comportamental. Saber ser sábio sem ser chato e com isso, exigir uma mudança na cabeça de uma pessoa que tem esse molde a quase 50 anos atrás. Pura crueldade.
Também acho perverso exigir que um jovem de 16 anos já tenha decidido o que quer ser pelos próximos anos de sua vida, se moldando como tal., responsabilizando-o de como ele precisa ser adulto rápido, sem pausa para respirar e sem perguntas desnecessárias, as respostas são as mesmas: com o tempo você aprende.

E daí todos descobrem que o tempo apenas passa... Em passadas certas, bem compassadas como uma sinfonia muito bem escrita.
Com compassos de atleta; é um maratonista sagaz, impiedoso e está sempre disposto bater seu próprio recorde. É o técnico que diz como o atleta deve se conduzir. Ele é o juiz para dizer quando tem que parar a partida, e em outro contexto, julga o que foi certo e quando quer fazer sua colheita. É cobrador de impostos, sempre muito caros. É Senhor, jamais escravo.

Podemos então classificá-lo como um deus. E de divindades, nada contestamos, apenas aceitamos seus caprichos.

Trecho de música para refletir:

"Eu vejo o futuro refletir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades.
O tempo não para"
Cazuza

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Por que o medo?

Não entendo como alguém pode se incomodar tanto com a morte. Afinal, é a única coisa certa da vida) (permitam-me usar esse clichê).
As pessoas agem estranho quando alguém morre:

Quando uma notícia no jornal que uma criança morreu, a maioria das pessoas se emocionam, icam imaginando a dor da mãe, ficam colocando o "se" em cada frase.
Quando alguém que elas conhecem, morre na idade jovem-adulto, acham triste, mas logo se conformam.
Quando é alguém velho, elas simplesmente aceitam, porque acreditam que o idoso já viveu tudo que tinah para viver na vida.
Eu penso diferente, e desde já peço licença para ser crua:

As crianças, nada tiveram para lamentar, não tiveram que ouvir coisas que não esperavam ouvir, não tiveram que crescer vendo coisas desprezíveis, nem tiveram que perder a inocênca dos sentimentos, por enfrentar a vida. Felizes elas!

Eu tenho mais piedade das pessoas velhas. Viveram de tudo ou foram obrigados a viver aquilo que nem queria. Experimentaram de tudo, pelo menos do mais importante: alegria, dor, mágoas. Alguns experimentaram o sofrimento muito cedo, outros, tarde demais para saber lidar com ele.
Quantas pessoas velhas foram tão sofridas na vida? Desde cedo, elas se acostumaram a cumprirem sua obrigação de casar e ter filhos, mesmo que fosse fora da época que desejaram.
Sempre vejo senhoras com olhares tão tristes, e senhores com cara do abandono, e outros com cara do conformismo, que para mim é uma das piores sensações que alguém pode ter.
Quantos deles não sofreram, não choraram, tiverma tantas decepções que nem doia mais quando algum novo sofrimento surgia? Quantos deles não enfrentaram o medo, a ira de alguém, a zombaria, o desprezo, e enfim o abandono?
Quantos deles nçao tiveram que envelhecer com a consciência os acusando de seus próprios pecados?
Quantos foram abandonados pelos filhos e quantos filhos eles abandonaram?
O maior consolo para eles no momento seria mesmo a morte: descanso de corpo, descanso de mente, descanso de alma!
Então porque temer tanto a morte?
Olhando por esse lado, a vida parece ser tão mais assustadora.


Trecho de música para refletir:
"Well everybody hurts
Everybody cries
Everybody hurts, sometimes"
R.E.M

domingo, 6 de setembro de 2009

Não sei mentir...

Irônico, eu sei: um blog com esse nome tão sujestivo falando sobre mentira. Mas...

Cresci ouvindo que mentira é uma coisa feia, que tem pernas curtas...eu ficava imaginando o nome "mentira" com esses membros inferiores. Eu queria personificar a mentira em minha imaginação. Eu achava que ela tinha pernas assim, por ser pequena, para nós podermos carregá-la. Afinal a usamos quando queremos.

Particularmente, não gosto muito de mentiras. Veja bem: não gosto muito!....mas minto!
Sou cristã, tenho toda a criação e fui bem ensinada sobre mentiras...mas minto sim, e minto bem quando quero: afirmo, reafirmo e confirmo minhas versões várias vezes se precisar. E o mais interessante de tudo: fico de consciência limpa.
Surpresos? Acho que não: todos nós mentimos muito bem quando queremos e reagimos da mesma forma, porque a mentira nada mais é do que a escapatória de uma situação chata que você quer evitar.
Exagerei de novo?! Tudo bem, vamos aos fatos:

1 - Mentiras de telefone
a) Liga aquela pessoa que você não quer falar, (e hoje, graças ao celular é difícil você falar: "não vi sua chamada"). No outro dia, ela lhe confronta: "liguei para você, não viu não?", pensamento rápido e imediato: "Não! Aliás...vi, mas foi porque deixei o celular no silencioso e esquecido no canto da casa, quando me dei conta, vi suas chamadas hoje!"

b) [Clássica] Telefone toca, alguém atende e te chama: "Fulano, Beltrano quer falar com você."
Você: Diz que não tô/to tomando banho/to ocupado/ligo depois/ai! diz que to cagando!

Esse foi um exemplo básico, previsível até para alguns dos leitores...nada demais!

O que quero deixar claro é que todo mundo mente. Não consigo entender alguém que diz: "não sei mentir". Todo mundo já mentiu para a mãe, para o pai, para o amigo, olhando fielmente nos olhos. Mentir é questão de prática, é evolução. Mentir para não soar ridículo, mentir para não brigar negando a própria afirmação dita antes sem relfetir, esconder o que se sente, abafar o que quer fazer, não confessar o que fez, não aceitar quem é....mentir para não ser recusável e se recusar a ser esse humano podre, vil, e tão verdadeiramente enganador. É da natureza humana...nós somos assim.

Fora todas as mentiras saudáveis que você conta para agradar alguém: mentir que a salada ficou boa, mentir sobre a roupa que ela adorou vestir, dizer que está/é bonita(o). Mentir que adorou o presente que recebeu. Mentir que ama essa pessoa; mentir que já a amou; mentir que foi feliz; mentir que está tudo bem; mentir...porque é melhor.

Ontem menti para alguém que não quis magoar. Amanhã, provavelmente, mentirei para que ela se sinta bem. Ela só vai se ferir quando eu disser a verdade que ela merece ouvir.

Talvez a mentira tenha pernas curtas porque assim deve ser mais fácil para ela nos sustentar.

Trecho de música para refletir:

"Esta minha podridão está na asa que atravessa a noite?
Sentimentos ardem e tornam-se lágrimas"
Abingdon Boys School

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Ah! A sociabilidade...

Eu gostaria de entender porque às vezes reclamamos tanto de solidão.
"Porque o humano é sociável" -não sei se foi alguém que me disse ou se fui eu que me respondi isso.
Até a bíblia fala que não seria bom para homem ficar sozinho apenas com os animais (talvez não fosse bom para os animais). Mas enfim, porque temer ficar só? Porque não gostar de ficar só?

Quem nunca quis morar sozinho?
Quem nunca fingiu não ver alguém no ponto do ônibus quando se está voltando para casa?
Quem nunca acelerou/retardou o passo só para não acompanhar aquela pessoa que conhecia mas não queria companhia no caminho?
Quem nunca se limitou a ser monossilábico quando alguém puxa assunto no consultório médico?
Quem nunca perdeu a paciência com vendedor quando tá tentando ser gentil/engraçado numa lojinha?
Quem nunca sentou no banco único do busão só para ficar olhando a janela?
Quem nunca se impediu de conhecer alguém no ônibus/metrô porque estava de fone? O que já constrange qualquer conversa. Aliás, eu gostaria de saber como as pessoas ficavam nesses veículos nos anos 90. Porque naquela época fone não era tão comum. Já ouvi muitas histórias de amigos que se conheceram no ônibus, de casais que se conheceram no ônibus, de casais que brigaram no ônibus, de amigos que se separaram no metrô. Hoje em dia, só ouvimos ruídos do motor, e polegares batendo na barrinha para acompanhar o ritmo na música. Por que isso agora?

Por que ainda reclamamos da solidão? - "Porque o humano é sociável" - alguém me disse ou fui eu que me respondi, não sei, não lembro...tava de fone enquanto pensava nisso.

Trecho de música para refletir:

"No change i can't change
But i'm here in my mold
And i'm a million different people from one day to the next
i can't change my mold".
The Verve


quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Dia da não consciência

O ser humano é cheio de valores. Independente de cultura e país, existem certos aspectos bem comuns a todos (afirmação perigosa). Mas é verdade...é a famosa educação!

Não falo de educação escolar, essa não me interessa, essa é tão pífia quando se é relacionada a caratér que não vale a pena comentar. Falo da educação cotidiana, mais conhecida como valores, pouco conhecida como etiqueta.

As 3 palavrinhas mágicas que nos ensinam quando somos crianças: por favor, obrigada, desculpe.
E mais tarde aprendemos mais palavrinhas: bom dia, boa tarde, como vai?
e mais alguns atos: "sente-se aqui senhora", deixa que eu te ajudo", "são 8:30...de nada"

Eu estava observando o comportamento das pessoas no ônibus e é bem engraçado como a educação escraviza as pessoas. Deixe-me explicar:

Eu sempre pego ônibus. E não me incomodo de ir em pé em ônibus, só me incomodo de ir pendurada, sou baixinha e segurar a barra de cima acaba meu braço. Mas gosto de ir em pé, de preferência no fundo, para observar tudo. Enfim...eu vi uma moça, no máximo 18 anos, magrinha, cheia de livros e ela passou a catacra aliviada por ter encontrado um lugar para sentar. Sentou-se, ajeitou-se, passou a mão no cabelo e, como todo mundo faz, direcionou seu olhar para a janela. 3 pontos a frente , uma senhora entrou no ônibus. Ela entrou pela porta do meio, ela se apoiou desajeitadamente na barra e ficou ali segura perto do cobrador. A mocinha assim que obedeceu sua curiosidade para saber quem entrara viu a senhora, olhou em volta e viu mais pessoas olhando a janela. Ela imediatamente levantou-se, oferecendo o lugar para a senhora que sentou sem fazer a velha cerimônia: "não precisa não". Ela sentou, simplesmente. A mocinha ficou ali, em pé, tentando equilibrar os livros no braço esquerdo, e olhando sutilmente para a senhora imaginando o que todos imaginam: "bom, me levantei para senhora, será que a senhora pode me ajudar com os livros?!" Afinal, é o que queremos por nossa gentileza pelo menos.
A velhinha, se ajeitou, passou a mão no cabelo, olhou para a janela...mas imediatamente, falou:
- Ô minha fia, me dá que eu seguro.
A mocinha, com sorriso aliviado e olhar gentil, calando aquele pensamento maldoso agradeceu:
- Ô! Brigada!

Logo depois me sentei. Mas o que eu me perguntei foi: e se a mocinha não tivesse se levantado? E se ela quisesse dizer não à própria educação e ficar sentada? E se ela simplesmente continuasse olhando a janela, e fingisse que não tinha visto, como tantos outros fizeram?
E se eu não quisesse agradecer alguém por ter me dito as horas?
E se eu não cedesse o lugar na fila para aqueela pessoa que só comprou uma caixa de fósforo, enquanto eu estou com 5 itens e um deles é maçãs?
E se eu esbarrasse em alguém e não me desculpasse?
Por que simplesmente não fazemos nossa vontade? Um único dia, sem saudações, sem sorrisos, sem acenar...apenas nós mesmos, sem valores. Quão ruim isso poderia ser?
Por que nós temos que levantar?! Irônico é que quando você se levanta, você subjuga a própria vontade. Hoje não tô afim de levantar, quero continuar sentada olhando a janela.
E logo depois entrou uma senhora na porta dos fundos...automaticamente acenei, ofereci meu lugar, recebi um sorriso grato e retribui um leve sorriso um olhar gentil.
Maldita consciência que não me deixa pecar.

Trecho de música para relfetir:

"Take everythign from the inside
And throw it all the way"
Link Park

Bjim!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Vamos começar, né!

Por que um blog?
Por que expor tudo que você pensa e esperar que alguém leia?
Por que a vaidade do ser humano em querer ser aceito é mais forte do que a timidez ou insegurança?
Por que todos (afirmação perigosa, mas real) todos sentem necessidade de ser visto algum dia?
Por que ter uma "marca" registrada de personalidade na internet?

E por que não?

Por que não mostrar-se? O que temos a esconder?
Por que é tão difícil a transparência?
Por que nos moldamos para parecermos os mais legais possíveis?
Por que o medo da crítica?
- Você é muito cruel!
- Você é muito realista!
- Você não tem coração!
- Afinal, quem é você?!

Se você tá na fase adolescente, não se preocupe: as críticas que você recebe não são piores do que estão por vir...
E você que já passou dessa fasee já se descobriu ah você sabe bem o que dizer né:"crítica?! ah tá! to ligando!"...e escondidinho tenta mudar aquilo que foi criticado....(de maneira sútil, claro!).

Eu estava lendo o Blog da Cinthya Rachel e o nome é bem interessante: Pensamentos Insanos , e fala de coisas completamente normais, tudo aquilo que falaríamos, pensaríamos e faríamos em cada detalhada situação.
E engraçado é que o normal é chamado de insanidade, mas se você parar para pensar, realmente, você comentar a normalidade para o mundo acaba sendo loucura.
Exatamente porque o cotidiano está ficando tão mecânico que quando é comentado, chega a ser lúdico de tão novidade que possa parecer. entendem?!

Bem...se sim, que bom, pois aqui quero me limitar a falar o real mesmo dos nossos pensamentos mais sombrios e ilimitados.
Se não, bom...vamos nos entender, certo?!

Trecho de música para inspirar:

"Admire me, admire my home
admire my song, admire my clothes(...)
Do the evolution baby"
Pearl jam

Bjim!